Como lidar com a perda de um ente querido?

Mesmo com todas as condolências manifestadas pelos mais estimados amigos e familiares, o Grupo Memorial sabe que boa parte das pessoas enfrenta grandes dificuldades emocionais no momento de lidar com a perda de um ente querido. E não é para menos: independentemente dos fatores e/ou da idade, a despedida de uma vida sempre implica o rompimento de um vínculo, e é até mesmo por isso que se fala na necessidade de que o luto seja, sim, respeitado como uma fase necessária à adaptação daqueles que vivenciaram a perda mais intensamente.

Para se ter uma ideia do que essa perda pode representar, especialistas em Psicologia Clínica advertem que o falecimento de um ente querido é capaz de desencadear mais do que dores emocionais, incluindo-se aí desequilíbrios físicos como alterações no apetite, insônia e uma sensação de “entorpecimento”. Contudo, embora não exista uma solução para aliviar imediatamente a dor em decorrência desse tipo de perda, eles também alertam para o fato de que é possível encarar a situação com a consciência de que o sofrimento será amenizado no decorrer do tempo.

Pensando nessas questões e em como auxiliar aqueles que buscam alguma orientação nesse sentido, o Grupo Memorial selecionou as principais recomendações dadas pelos especialistas. Acompanhe:

1. Converse e desabafe sobre a sua dor

Nas primeiras semanas de luto, é normal sentir uma intensificação do sofrimento e, em alguns casos, apresentar até mesmo um comportamento depressivo. Se você está passando por esse estágio, busque um amigo ou familiar de confiança para compartilhar as suas dores e angústias por meio de uma conversa particular e acolhedora.

Mesmo se você optar por não desabafar sobre os seus sentimentos (para alguns, isto pode ser mais complicado, seja pelas características da sua própria personalidade, seja pelas circunstâncias que provocaram o falecimento), é indispensável estar na companhia de outras pessoas, já que o apoio de familiares e amigos é essencial para a superação desse período.

2. Não alimente a culpa em si mesmo

Com o falecimento de um ente querido, muitas pessoas experimentam a sensação de que não fizeram o bastante para impedir que a morte ocorresse. E, para evitar esses sentimentos desnecessários de culpa, é fundamental tirar um tempo para refletir sobre a impotência do ser humano diante das fatalidades da vida, conformando-se à realidade de que ninguém é capaz de prever acontecimentos ou mudar o seu percurso natural.

Também é comum que, frente ao falecimento, muitos sintam uma espécie de remorso pelas suas limitações na condição de filhos, cônjuges, pais, mães, irmãos ou amigos. Esse sentimento, porém, quase sempre corresponde a uma distorção dos significados afetivos, a considerar que todo ser humano é imperfeito e está sujeito a erros nas suas atitudes e relacionamentos. Portanto, nesses casos é necessário lembrar-se de que, quando em vida, o ente querido também possuía qualidades e defeitos, compreendendo que todos cometem falhas.

3. Evite o luto contínuo

O luto é uma reação vital, uma vez que esse processo ajuda a dar vazão às emoções de dor e perda. No entanto, muitos psicólogos recomendam que os objetos e fotografias daquele que faleceu não sejam vistos todos os dias. O mais aconselhável é reservar datas específicas da semana ou do mês para rever objetos e fotos, evitando, assim, um estado de angústia ininterrupta que complica a superação e o retorno à rotina.

Também é importante se preparar para as ocasiões em que você se recordará involuntariamente da presença do ente querido ‒ como, por exemplo, aniversário, Natal ou passagem do ano. Nessas circunstâncias, o mais indicado é planejar um dia entre amigos e familiares, de modo que todos possam reconfortar uns aos outros para amenizar a tristeza e a saudade.

Por fim, se você sentir dificuldades para superar a perda mesmo após um ano do falecimento do seu familiar ou amigo, conte com o auxílio de um psicoterapeuta. Mais do que dispor de alguém para ouvi-lo, a intervenção desse profissional certamente o ajudará a assimilar essa experiência de uma forma menos dolorosa, fazendo com que esse desequilíbrio do período de luto se transforme numa saudade “saudável”, com a qual seja realmente possível conviver sem pesar.