Morte: como a Filosofia pode nos ajudar a entender esse inevitável momento?

O ato de refletir, observar e questionar é algo inerente ao ser humano. Não à toa, a Filosofia tem sido cada vez mais aplicada ao nosso cotidiano como uma via de “investigação” racional para as questões mais complexas da vida, incluindo a morte.

Ao longo da história, grandes filósofos como Epicuro, Sócrates e Montaigne teceram reflexões significativas sobre o término da vida, influenciando diversas vertentes de pensamento tanto no Ocidente quanto no Oriente.

O Grupo Memorial reconhece que, ainda hoje, não é incomum que parentes e amigos de entes falecidos procurem respostas na Filosofia para as incompreensões acerca da morte – especialmente aqueles que não são adeptos de uma religião específica e/ou que buscam alternativas para a constituição das suas próprias crenças. Por isso, selecionamos três abordagens filosóficas que podem ser bastante interessantes para quem deseja compreender a morte sob outras perspectivas. Acompanhe.



Encarando a morte com naturalidade: uma postura inspirada em Epicuro

Epicuro de Samos foi um filósofo grego da era helenística. Suas reflexões podem contribuir para um entendimento “cosmológico” da morte, já que ele concebe o ser humano como uma entidade formada por milhares de átomos em movimento, sendo o término da vida nada mais do que a dissolução dessas partículas elementares no universo, que posteriormente farão parte de novos seres.
Ou seja: na visão de Epicuro, a morte é um processo natural e essencial para dar origem a novas vidas. Ela é como uma solução encontrada pelo universo para manter a “chama” da existência sempre acesa.



Há algo além da vida terrena: uma crença baseada no pensamento socrático

Sócrates é considerado um dos pensadores mais importantes da Filosofia. Prova disso é que a “linha do tempo” filosófica é dividida basicamente em três períodos: pré-socrático, clássico e pós-socrático.


As menções de Sócrates sobre a morte influenciaram fortemente o cristianismo, pois, na Grécia Antiga, ele já cogitava a vida além-túmulo, partindo do princípio de que a alma humana é imortal. Em vida, essa alma experimenta uma realidade material. No entanto, a sua verdadeira origem é o mundo das verdades eternas, onde se cultivam ações boas, puras e belas, e para o qual a alma retornará um dia.


É nessa crença que a maioria das religiões contemporâneas fundamenta as suas doutrinas post-mortem. Portanto, a filosofia socrática sobre a morte pode ser explorada até mesmo pelas pessoas que são fiéis a algum segmento religioso.


A morte como passagem para a liberdade: uma ideia de Michel Montaigne

Montaigne foi um filósofo francês que apresentou ao mundo uma visão única sobre a humanidade, sem deixar de discorrer sobre a morte em seus ensaios.


Para ele, o fim da vida é uma espécie de “dádiva” da natureza que permite ao ser humano libertar-se de todos os males e tormentos mundanos, que são a principal causa da angústia e do sofrimento.


As considerações expostas acima reproduzem as ideias concebidas por três renomados filósofos. No entanto, sabemos que as apreciações filosóficas acerca da morte não se limitam somente a esses pensadores, de modo que o leitor pode continuar a sua exploração pelo tema a partir de outros ensaios ou livros com essa temática, caso assim deseje. O que importa é que, ante o adeus definitivo daqueles entes a quem amamos (ou, ao menos, ante o adeus definitivo neste mundo, já que Sócrates, por exemplo, defendeu a existência de um outro), consigamos o equilíbrio necessário para aceitar essa despedida e seguir com as nossas próprias vidas, administrando as nossas emoções e, claro, toda a nossa saudade.